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Açude Tucunduba em Senador Sá - Foto/NS
 

Até fevereiro de 2021, durante a quadra chuvosa no Ceará, cerca mil açudes de pequeno e médio portes devem receber 5,2 milhões de alevinos, peixes recém saídos do ovo. O projeto começou em outubro passado e visa beneficiar 60 mil famílias que moram no entorno das barragens públicas e comunitárias.

O projeto de peixamento dos reservatórios é estratégico para a segurança alimentar de famílias de baixa renda e agricultores de base familiar no entorno dos açudes no sertão cearense.

O ciclo de produção do pescado é em torno de seis meses e o programa aproveita a recarga das barragens com as chuvas para favorecer o crescimento dos peixes. Para a pesca, os peixes precisam atingir o peso mínimo de 500 gramas.

A ação é da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e nesta semana chegou a 11 cidades, com o povoamento de 550 mil alevinos em Poranga, Ipu, Viçosa do Ceará, Granjeiro, Sobral, Meruoca, Quixeramobim, Redenção, Reriutaba, Quixadá e Capistrano.

Segurança alimentar

O secretário-executivo de Pesca e Aquicultura, da SDA, Antônio Nei de Sousa, frisou que a ação é uma política pública de segurança alimentar. “Mesmo com despesas extras com a pandemia, por parte do governo estadual, há o compromisso da pasta em oferecer alternativa alimentar para as famílias de baixa renda”, pontuou. “Esse programa vai continuar ocorrendo a cada ano”.  

A meta do projeto é entregar no total 5,22 milhões de alevinos de tilápia, carpa, piau, curimatã e sardinha de água doce. O investimento é de R$ 538 mil e existe a expectativa da geração de 1,1 toneladas de peixe por ano.

Prefeituras, associações, sindicatos e colônias de pescadores que quiserem aderir ao programa podem solicitar o Programa de Peixamento à SDA.

Na localidade de Santo Antônio, na zona rural de Cedro, um dos açudes recebeu alevinos há dois meses e o agricultor familiar Francisco Bezerra espera boas chuvas “para o açude encher, o peixe crescer e a pesca ser boa para todo mundo a partir de maio do ano novo”.  

O veterinário e especialista em pesca, Paulo Landim, frisou que “é uma boa estratégia o peixamento dos açudes públicos e comunitários para a cada ano ter oferta de um alimento saudável na mesa do agricultor familiar”. Ele defende o uso múltiplo dos reservatórios para cumprir um papel social e econômico: irrigação, fornecimento de água para o consumo humano e animais, além da produção da pesca extensiva e intensiva (gaiolas). 

Diário do Nordeste