Com muita força de vontade jovens promovem o ensino de capoeira em Serrota. Conheça esse projeto!



     Os jovens Luis Paulo, Nunes e Evanio atualmente promovem voluntariamente a prática e o ensino da Capoeira no distrito de Serrota de Senador Sá nos dias de Segunda, quarta e sexta e nos fins de semana (sábado e domingo) nas localidades Crôa e Córregos. Para conhecermos mais sobre esse projeto social conversamos com o universitário Luis Paulo Gomes que nos contou como funciona, quais os objetivos e de onde surgiu essa ideia que está em ação graças a força de vontade dele e dos outros dois amigos. 


     O projeto é independente, sem recursos, patrocínio ou apoio do poder público municipal e foi idealizado pelos jovens. Atualmente é custeado pelo trio e tem como professor o mestre Preto, de Sobral, que após conhecer o projeto se propós a ajudar. Os treinos acontecem na escola Zilda Oliveira Aguiar, em Serrota, com o apoio do diretor que ajuda fornecendo o pátio da escola para acolher os jovens beneficiários.

    Além do distrito de Serrota as aulas também acontecem nas localidades de Crôa e Córrego, para o deslocamento a esses locais os próprios jovens custeiam a gasolina como também "...as roupas, nós compramos de um professor que faz a um bom preço. Cada um comprou a sua... Os pais das crianças estão fazendo o mesmo!" disse Luis Paulo. No momento diversas crianças, jovens e adulto participam do projeto chegando a uns trinta ou mais beneficiados. 


    Luis falou que não existe uma parceria oficial com a secretaria de educação e até chegou a procurar a sec. de cultura, mas "foram tantas coisa e que faltou tempo para fazer tudo que foi pedido" e nenhuma ajuda foi firmada. Segundo ele o objetivo era conseguir alguma verba apenas para a compra de materiais e instrumentos como berimbau, atabaque, pandeiro e agogô além de fardamento (calça, blusa e corda) para os alunos. Sem sucesso com a secretaria  Luis revela que só tem um pandeiro e o berimbau feito de forma caseira usando arames encontrados em pneu de moto, madeiras da mata próxima e cabaças doadas por agricultores . 




   "A importância é fortalecer a cultura e o esporte dentro do município onde nessa área só é visto o futebol de campo e raramente acontece um torneio de futsal. A Capoeira não é vista como esporte ou muito menos como cultura nem por aqueles que são responsáveis pelas pastas (secretarias municipais)." Ele acrescenta que a importância de um projeto social é fazer com o que o jovem mantenha sua mente ocupada em algo bom tanto para a saúde física e mental como também socialmente. Além de ajuda-lo a pensar em um futuro, principalmente quando drogas lícitas e ilícitas estão de fácil acesso e se não fizerem nada "vamos ter uma geração perdida e cada vez pior" acrescenta. 



   Os encontros acontecem geralmente na escola em Serrota, mas quando não há local adequado como por exemplo nas localidades, as aulas são em lugares que tenham areia para que os alunos não se machuquem. Apesar das dificuldades enfrentadas para manter as aulas, Luis revela que não perde a vontade e que o "projeto só funciona porque ainda tem esperança e paixão... O Nunes tem família e os deixa para dar aula de graça. Tira de onde não tem para ir ao locais do interior e graças a Deus ele está trabalhando..." acrescentou. 


Coordenadores Luis, Nunes e Evanio recente graduados a corda laranja.

     Luis nos contou como surgiu sua vontade e paixão pela Capoeira e o movimento que hoje ajuda a inúmeras crianças, jovens e adultos. Confira:

   "Começou alguns anos...  Nunes e o Ivo me chamaram para criar um grupo de capoeira... Não tínhamos nem uma ideia de está fazendo o certo. Tudo era tirado de filmes. Na escola fizemos um grêmio estudantil e passamos então a pedir por um professor de capoeira ao então prefeito Rui Aguiar. Depois de muita luta foi conseguido, o professor Rones de Sobral que nos dava aula dois dias por semana a noite. Neste mesmo período ganhamos um abadar (fardamento - Calça e blusa) da prefeitura. Não era algo bom, mas era o que tínhamos  e logo depois a capoeira virou febre no município. Senador Sá passou a ter um grupo vinculado ao de Sobral, o capoeira mande.
    O professor Rones deu para nós um pandeiro e um berimbau e tivemos nosso primeiro evento e batismo aqui em Serrota (Distrito de Senador Sá). Então veio uma tragédia, nosso amigo faleceu. Ele era o cara mais apaixonado pela capoeira e dedicado, a notícia foi um choque! Depois de sua morte o grupo acabou! 
    Depois de um tempo veio para a Serrota um homem chamado Robson, do Rio de Janeiro, que morava em Fortaleza. Um dia ele falou com agente perguntando se nós queríamos aprender a lutar e ele passou a chamar os jovens para ensinar kung-fuPassou algum tempo e até que aconteceu o episódio do fogo no colégio que culparam ele. 
     Passou um tempo, até que começou a violência, roubos e drogas na Serrota. Chamei os meninos, Nunes e Evanio, para fazer novamente o grupo de capoeira, filmes e conversas para ver se tirávamos os jovens desta vida que eles estavam entrando e passamos a chamar os jovens, idosos e crianças. Passamos a ir treinar na Crôa e no Córrego para chamar os jovens de lá... Eu conversando com um amigo bombeiro Civil de Sobral e ele me falou do professor Preto. Eu entrei em contato, expliquei a situação  e ele abraçou a ideia. Assim vinculamos nosso ao grupo ao capoeira Brasil. Hoje estamos de novo. Fazendo este trabalho de resgate da capoeira e dos jovens de Serrota e interior (Localidades)." Luis Paulo Gomes


Mais fotos: Aqui!



Informações e imagens: Luis Paulo Gomes

Obs.: Essa matéria é o resultado de uma entrevista com o acadêmico em História Luis Paulo Gomes residente no distrito de Serrota que é membro fundador do grupo que aplica o projeto ensinando a capoeira nas localidades de Senador Sá.

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