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      O NS esteve com o ex vereador e prefeito de Senador Sá e um dos mais antigos e significativo líder político municipal ainda vivo, Sancho Rodrigues. Que conversou e contou um pouco sobre a política no seu tempo e a atual, sua história, começo na política e ainda fez algumas críticas aos políticos dessa geração. Confira:

    


Um pouco mais:

     Com apenas 27 anos, em 1958 na primeira eleição, foi candidato a vice-prefeito ao lado de José Aguiar Filho, perderam a eleição para Alfredo Ribeiro Campos e João Valdivino. Na época, o vice era votado em separado e Sancho Rodrigues tirou mais votos que o candidato a prefeito de sua chapa.
     Em 1962, foi candidato a vereador sendo eleito o mais votado. Na categoria de presente da câmara, em 1964, logo após instauração da ditadura, colocou em pauta a votação pela cassação do então prefeito José Moreira Correia, o processo não atingir os 2/3 exigido e o gestor não foi cassado, porem devido o processo, Zé Moreira ficou sendo prefeito nomeado, mas desde então, o município não recebeu mais recursos até eleição seguinte em 1966.
     Em 1966, Sancho foi eleito prefeito, tendo como vice Gerardo Gualberto de Araújo, recebeu na época, todos os atrasados que ficaram retido da gestão do prefeito anterior.
Nesse pleito, grande feito de Sancho foi a energia elétrica, implantado no meado de 1967, ao todo foram conseguidos 32 postes e um transformador, custou na época 20mil cruzeiro novos. A energia elétrica foi na época uma conquista tão grande, que até o governador do Estado, Plácido Alderardo Castelo, esteve em Senador Sá, juntamente com o presidente da assembleia e a guarda municipal de Fortaleza.
     Em 1970, lançou José Aguiar Filho como seu candidato e o elegeu, na chapa o vice era Francisco Anastácio Sampaio, neste ano, foi decidido por motivo que minhas pesquisas não identificaram, que seria um mandato de apenas 2 anos, indignado Zé Aguiar que já vinha desde 1958 tentando entrar na política e não conseguia e quando finalmente entrou, só iria mandar dois anos, descontou (segundo nossas fontes) em seus eleitores e nos seus apoiadores, dentre estes Sancho Rodrigues, o homem que o botou na política, foi quase que expulso de Senador Sá por ele.
     No início de 1971, Sancho deixa aqui em Senador Sá a mulher, Maria Eugenia, com 7 filho dentre estes alguns pequenos e segue rumo ao Maranhão, e de lá para o Pará, onde em Belém, segundo relatos, vivia de comprar coisas dos ribeirinhos e revender na feira de Belém.
Zé Aguiar, não soube administrar e nem somou forças políticas para tentar fazer o sucessor. Com alto índice de rejeição e talvez tocado pelo peso da consciência, não conseguiu fazer uma boa administração.
      Sancho sempre foi bom articulador político e tinha já muito moral neste meio, tanto que no meado de 1972, o então deputado Francisco Armando Aguiar, deputado natural de Massapê muito respaldado no Estado, lhe ligou no Belém, para fazer as pazes entre Sancho e Zé Aguiar, na conversa ficou combinado de Sancho esperar Zé Aguiar no dia 5 de maio de 1972, e assim foi feito.
      Sem dinheiro nem para passagem, zé custeou toda sua vinda na passagem por fortaleza ainda na vinda, foram direto na casa do deputado Armando Aguiar, e de lá [sancho] já saiu com tudo acertado para ser candidato nas eleições de 15 de novembro de 1972.
     Com a chegada de Sancho Rodrigues, ninguém quis mais concorrer e Sancho foi candidato único, o primeiro e até o momento o único a ter este feito na história do município. Sancho para fazer a campanha de 1972 teve apoio financeiro de Armando Aguiar e do seu intrigado Zé Aguiar, no entanto nunca mais se falaram... Zé Aguiar ainda tentou deixar uma herança na política que era seu pupilo, José Garcia Rodrigues, porem o mesmo ficou apenas na primeira suplência, com 80 votos...


UM POUCO MAIS DA HISTORIA DE SENADOR SÁ 

COMO SANCHO RODRIGUES ENTROU NA POLÍTICA




     Oito de julho, uma data de grande relevância para a história política de Senador Sá, nesta mesma data, nasceu e morreu dois grandes políticos que a história de nossa humilde cidade jamais poderá renegar. Nasceu nesta data, Sancho Rodrigues de Oliveira e morreu nesta mesma data, Francisco Xavier de Mesquita, portanto na história política de nossa cidade no dia 8 de julho, o júbilo e o luto andam juntos. Sancho, como é mais conhecido, é um personagem ilustre e unânime na história política (pós emancipação) de Senador Sá.

     Sancho Rodrigues de Oliveira, nasceu em 08 de julho de 1931, na localidade denominada de Travessão, na região do Penedo, limite entre Senador Sá e Uruoca. Era filho de Joaquim Sancho de Oliveira e Maria Dalila de Oliveira, viveu toda a sua infância na dita região onde seu pai Joaquim Sancho era morador de uma das propriedades de Joaquim Ferreira Apoliano, era, portanto, na linguagem popular, vaqueiro do Coronel Apoliano. Nas terras, além de morar e trabalhar nos imensos roçados do Coronel Apoliano, Joaquim Sancho tambem exercia a função de oleiro, todavia a renda com essa atividade era toda sua, dizem que os "Sanchos" tinha grande habilidade na fabricação de telhas e ladrilhos. Pai de cinco filhos vivos, sendo três homens e duas mulheres, Joaquim desde cedo já os botou para trabalhar consigo e ajudar a levar o sustento para casa, levava-os constantemente para a olaria para ajudá-lo na labuta da fabricação de telhas e ladrilhos, de acordo com os relatos a olaria onde ‘Os Sanchos’ trabalhavam ficava na localidade de barra do mel, apesar do trabalho, Joaquim Sancho, não esqueceu de botá-los para estudar na casa de uma professora que ficava na localidade de Goiana, assim como a barra do mel, também na região do penedo, de acordo com as informações todos foram alfabetizados.


     No início da década de 40, ‘OS SANCHOS’ como era conhecida a família de Oleiros, conseguiu por ocasião da construção da Igreja de Campanário, ganhar um bom dinheiro, de acordo com relatos de familiares, foi das mãos deles que saíram na época, todas as telhas e ladrilhos para a construção do edifício, que foi um dos marcos da povoação do hoje distrito de Uruoca. Sancho Rodrigues tinha na época entre 9 a 10 anos, todavia lembra com muita clareza deste farto tempo.
     Entre um trabalho e outros sempre na encosta do pai e sem ter com o que gastar, Sancho conseguiu juntar dinheiro e já na faixa dos 20 anos, conseguiu comprar uma mula (burra), que na época era um grande patrimônio. Desta burra, conforme relatos, surgiu o primeiro negócio de Sancho, uma bodega que o mesmo adquiriu através de troca com dito animal com um comerciante da localidade de Riachão, hoje Uruoca, a bodega foi traslada de Riachão para Senador Sá no lombo do comboio de Vicente Freire, e instalada em uma casa situada nas proximidades do mercado central, mais precisamente no local onde hoje é o deposito M. Aurélio Construções e a farmácia MD.
     Conformes os cruzamentos de relatos, Sancho teria chegado a Senador Sá em junho de 1952, as vésperas da fogueira de São Pedro, o mesmo vinha instalar-se com a bodega recém adquirida no centro comercial da localidade mais movimentada da época, Senador Sá. Na bodega de Sancho vendia basicamente refresco, rapadura e fumo de rola, posteriormente Sancho foi incorporando outras coisas e começou a comprar chapéu, vender tecido e lampião, foi quando o negócio melhorou.
     Sancho desde moço, sempre gostou de estar rodeado de pessoas, sua bodega até altas horas (naquela época depois de seis já era tarde) era cheia de gente fumando e tomando "uns trago" (sic) as suas custas.
     Sancho até esta data nem sonhava em ser político, a história e as circunstâncias não propiciavam isso naquele momento, todavia, como diz o ditado ‘o que é do homem o bicho não come’ ou seja, aquilo que ao um ser estar destinado uma hora se cumprirá.


     Narram os de boa recordação, que tudo começou politicamente para Sancho, quando o filho de um líder político de Massapê na época, Francisco Armando Aguiar, primo de José Aguiar Filho, veio fazer uma visitinha ao primo em Senador Sá.
     Jose Aguiar, tinha uma casa também ali nas proximidades do mercado central, uns dizem que a casa é a que hoje mora o ex-vereador Raimundo Rodrigues Bastos (Raimundo Mamede) outros dizem que é a vizinha do lado esquerdo a esta, detalhe à parte, o fato é que vindo ao distrito para agilizar a política da qual sua família fazia parte na região, ‘Os Aguiares’, acabou por encontrar em Sancho o homem que eles procuravam para representação no distrito.
Para que o leitor entenda vamos fazer uma breve contextualização:
     Em Massapê, desde 1920 quem liderava a política era basicamente ‘Os Pontes’, que viviam em embate constante com ‘Os Aguiares’, que era a outra corrente política forte no município. Senador Sá era o maior distrito de Massapê e aqui maciçamente eram “pontes”, sobrando algumas dezenas de eleitores para os demais, nisso no final da década de quarenta foi enviado para a região, mais precisamente para a fazenda BOCA DA PICADA, José Aguiar Filho, para cuidar da política ‘dos Aguiares’ na redondeza. No entanto, José Aguiar, que passara uma temporada no amazonas, trouxe consigo as formas de tratar e a fama de homem perigoso. Andando sempre armado, com seu jeito turrão, após “dar de chicote em vários homens da pitombeiras” (sic), vinha caindo no desgosto do eleitorado e a família (Aguiar) buscava alguém que levantasse a moral deles no referido distrito, Sancho caiu como uma luva, essa daria ‘um cabo e tanto’.
     Narram alguns que era por volta das 6 para as 7 da noite, quando aconteceu o insight. O hóspede que estava na residência de José Aguiar via e observava atentamente aquela movimentação no comércio daquele jovem recém-chegado ao território e viu neste o homem ideal para pedir voto para eles, um homem novo, ainda sem corrente política e bem popular.  De acordo com os relatos, o jovem estava noivo com uma das filhas, dita por muitos, como a mais bonita das filhas da família ‘SÉRGIO’ bastante conhecidos no distrito na época, que nós não iremos no aprofundar por falta de informação ainda.
     No dia seguinte o jovem comerciante que tinha aproximadamente 22 anos, foi chamado pelo líder local dos ‘Aguiares’, o senhor Zé Aguiar como era conhecido, que o convocou a pedido do hóspede. Na reunião, Armando Aguiar teria feito o convite a Sancho para participar da sua política, na época, já era para começar a pedir voto para um deputado ligado à família naquele mesmo ano.
     Dalí em diante, Sancho só cresceu no cenário político local. Na primeira eleição do município recém emancipado que aconteceu em 1958, Sancho já saiu como candidato a vice, na segunda eleição (1962) foi eleito vereador o mais votado, na terceira eleição (1966) foi eleito prefeito, na eleição seguinte indicou e elegeu seu companheiro José Aguiar Filho (1970) em 1972 foi candidato único e logicamente eleito; em 1976 indica Alexandre Fonseca Marques e o elege; em 1982, indica Francisco Xavier de Mesquita (seu cunhado) e também o elege; em 1988, juntamente com Nenen Mesquita elegem, Lucileda de Oliveira Lima (sua filha); em 1992 foi derrotado, voltando em 1996, como vereador, na eleição seguinte(2000) foi novamente eleito prefeito, em 2004 foi derrotado, em 2008, indica e elege Alex Sandro Oliveira (seu filho), este permanece até 2016, onde a exemplo do pai, indicou e elegeu Regina Lucia Vasconcelos Cordeiro...
     A história política de Sancho é um verdadeiro manual da política senadorsaense, contá-la aqui em poucas páginas é algo impossível. Ressaltamos aos leitores que o resumo acima ainda é fruto de pesquisa em andamento, portanto, susceptíveis a erros e equívocos, todavia nada que venha modificar a essência histórica dos fatos.


Fontes: NS - CS1
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